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17/07/2011

Aceitação: Uma nova definição?

Ir de um ponto ao outro. Ser rápido, eficaz, forte para ser útil. O deslocamento que se faz em determinado espaço. Um percurso feito por alguém. Atividade física que consiste em superar obstáculos e se deslocar no espaço.


Muitos já fizeram diversas definições do Parkour, do que ele representa e suas vantagens, em um mundo caótico como o que vivemos hoje. Mas o que poucos entendem, é que a chave para tudo que se faz na vida é a aceitação. Creio que são poucas as palavras de significado tão complexo e vasto quanto essa. Uma bela definição para o Parkour poderia ser "aceitação", uma vez que é a partir dela que surgem vários valores, bem identificados com a arte do deslocamento.

Com a aceitação, vem a adaptação às necessidades e assim, habilidades são forjadas para atingir os objetivos. Com a aceitação, vem a adaptação às prioridades na vida, a adaptação às limitações, a adaptação às liberdades, enfim, a adaptação à nossa condição de ser humano que busca completar o vazio na sua existência em algo que lhe interessa, criando sua identidade.

Com a aceitação, a simplicidade ao longo do tempo e da experiência, vai tomando forma nas atitudes da pessoa (se ela realmente leva aquilo que faz a sério). A simplicidade toma forma na gota de suor que cai durante um percurso. A simplicidade toma forma no ato de sorver o ar profundamente antes de realizar algum movimento mais "complexo". Ao dizer "complexo", entenda-se que isso não exclui a simplicidade. Segundo Einstein, "A natureza é exatamente simples, se conseguirmos encará-la de modo apropriado", então a simplicidade sempre estará lá. A aceitação da simplicidade na essência do Parkour vira a poesia do movimento.

Com a aceitação, vem a determinação, pois se reconhece os desafios e se é motivado a superá-los. Motivação! Ó motivação! Seria ela a musa inspiradora de todo atleta? Seria ela a sua fonte de energia, pilar que sustenta todo esse encantamento? Sem dúvidas, quando há determinação e motivação aliados ao trabalho contínuo, não há mais limites para o sucesso do atleta. A perseverança então ganha força, uma vez que ela pode ser personificada em amigos e família, que com seus apoios, mantém o atleta no caminho certo.

A aceitação de que o movimento rege o equilíbrio do universo, deve ser algo relevante para todo traceur. Desde as galáxias até os átomos, está tudo em movimento. E se o homem é o fruto do meio onde vive (meio este que sempre estará movimentando), então não poderíamos nos sentir mais integrados e inspirados a continuar a reproduzir o nosso movimento!

Sempre avançando!

13/05/2011

Sobre giros

Esse tema é bastante polêmico e faz voltar àquela discussão chata sobre "parkour não tem giro", "se tem giro é freeruning", etc etc. E essa postagem é justamente para analizar os giros além da estética.

Falando por experiência própria, acredito que adotar movimentos acrobáticos pode trazer ganhos consideráveis ao traceur e que serão muito úteis em um percurso. Mas não estou dizendo que as acrobacias em si devem ser usadas, porque em um percurso podem sim ser classificadas como "movimentos inúteis" e "meramente estéticos". Digo que os ganhos com o treinamento acrobático podem contribuir para o aprimoramento das técnicas de parkour.

Mas que ganhos são esses afinal?

Desde que comecei a treinar giros, tenho notado mudanças em minhas habilidades.
Mais velocidade, flexibilidade, altura nos saltos, impulso e até melhora nos reflexos são os pontos onde percebi melhoras. E tudo isso tem permitido que eu realize percursos cada vez mais rapidos e fluidos. Sem falar que me ajudou a sair do platô que eu estava a um tempo atrás.

Sei que muitos pensam que giros são 100% inúteis, mas se usados da maneira certa (como treinamento secundário para aprimoramento da velocidade, flexibilidade, impulso e reflexos) eles podem sim mostrar um lado útil.

É tudo uma questão de saber a hora em que os giros ajudam ou atrapalham.
Sempre avançando!

02/03/2011

Livres, porém presos!

No meio filosófico do Parkour muito se discute sobre a liberdade, a utilidade das técnicas em uma situação de perigo e coisa e tal.
Pensando nisso, o parkour realmente nos oferece a liberdade, mas determinados fatores, ao mesmo tempo, nos impedem.

É fato: a maioria dos praticantes tem como principais locais de treino as praças e pequenos muros e barras espalhados pela sua cidade. Locais públicos, concordemos!
E se considerarmos uma situação de risco em que necessitaríamos usar o parkour, provavelmente não estaríamos em nenhum dos locais citados.

Como tirar vantagem das habilidades então?

Ter a ousadia de entrar em propriedade privada para buscar segurança?

Seria essa a nossa limitação?

É como ter a chave e não poder tirar as algemas...






Sempre avançando!

23/10/2010

Parkour e a necessidade humana de se relacionar com o meio.

Muitas vezes vi crianças com suas respectivas mães passando pela rua. As crianças eram como que magnetizadas para fora do caminho. Largavam a mão das mães e iam por outros rumos, subindo e descendo coisas e procurando desafios. E as mães, obviamente, insistiam em chamar a atenção dos coitados.
Essas coisas me puseram a pensar como o modo de vida ao qual estamos inseridos nos faz distorcer as necessidades humanas.

Com o desenvolvimento da sociedade (o que diz respeito a fixação, agricultura, pecuária, etc), o homem abandonou certos hábitos como o nomadismo o e a caça. Deixou de depender fisicamente do corpo, já que as máquinas podem fazer todo o trabalho duro.

O corpo humano foi feito para o movimento, pois como animais, devemos nos relacionar com o meio.
É só pensar nas poucas tribos nômades e indígenas que existem. Elas não se desprenderam dos velhos hábitos. Ainda saem em busca de alimentos e proteção. Vivem como foram feitos pra viver.

As crianças que vivem nessa sociedade "independente" da capacidade física ouvem seus instintos e querem sair correndo e pulando coisas por aí, como se preparassem para viver do trabalho do próprio corpo. Mas, infelizmente, tem esse instinto abafado pelos que já perceberam que a habilidade corporal é "inútil" nos dias de hoje. Daí surgem mais e mais pessoas barrigudas, fracas e dependentes da tecnologia.

O Parkour se mostra então como uma retomada dos velhos hábitos humanos, um resgate do que o homem realmente foi feito para fazer. E mostra para as pessoas que sim, é possível ignorar a dependência e a fraqueza a que somos impostos.

Nos tornamos então homens fortes, rápidos, prontos pra reagir diante do perigo e ajudar a quem precisa. Como uma matilha, vivemos livres e prontos para o que der e vier.

Sempre avançando!

08/10/2010

Parkour e a não-mente.

Se você me perguntar por que pratico Parkour vou responder:
-Porque me faz sentir livre!
-Porque me faz sentir humano!
-Porque me faz sentir útil!
De certo, isso seria o que a maioria dos traceurs responderia também.
Mas tem algo no Parkour que me agrada mais que a liberdade, a humanidade e a utilidade. E de certa forma é a origem de todas essas sensações.

A não-mente...

Quando faço uma passada no muro, por um milésimo de segundo, sinto o mundo sumir sob meus pés. Tudo para. Nada importa além do momento: meus dedos sentindo a superfície quente e empoeirada do muro, o ar dando seu sopro mais sutil em meu rosto. Esqueço tudo. Por um instante se vão os problemas, as
dores, os medos. Não vejo as pessoas, nem os carros. Não ouço os sons caóticos da cidade. Meus pés tocam o chão, sinto a rigidez. Só aí minha mente desperta e volto ao mundo que a pouco ficara para trás.

Sei que todo traceur que se preze sabe do que estou falando.
Por vezes, essa sensação é indescritível, e só quem sabe sabe!

Outras atividades podem me fazer livre, humano e útil.
Mas só o Parkour me faz sentir tão longe, e ainda assim, tão perto de mim!

É o que faz valer o esforço constante.

Sempre avançando... sem fronteiras!

20/08/2010

Inspiração.

A inspiração é, sem sombra de dúvida, o que nos mantém ativos, desde os primeiros saltos até os mais complexos percursos. Não há traceur no mundo que não esteja a todo momento em busca de algo ou alguém que o motive a continuar treinando, por mais cansativo e doloroso que seja.
Todos nós temos essa necessidade, é o que nos faz progredir, ser mais rápido, mais forte, mais fluido.
O Parkour não é nada sem inspiração. Se David Belle, Foucan e os outros fundadores não tivessem se espelhado em quem se espelharam não seriam quem são hoje e o Parkour talvez não existiria como existe para matar a nossa sede de liberdade e ação.
Não é preciso ir muito longe para ter motivação.Os próprios companheiros de treino são uma enorme fonte de ânimo.A prova disso está no fato de algumas pessoas (geralmente iniciantes no Parkour) simplesmente não conseguirem treinar sem ter algum outro traceur por perto pra passar aquela energia.
Tudo é motivo pra nos colocarmos em movimento.Está em todo lugar, na própria natureza. Só é preciso ver as coisas de um ângulo diferente.
E continuar avançando!